Frei Luís e os seus dois pupilos
Italo Dalton Alves de Lima
Categoría:Adulto
Era uma vez, em um vilarejo muito distante, que um jovem frei, recém ordenado sacerdote, chamado Luís, foi enviado em missão, pois seu coração ardia para anunciar o evangelho e a misericórdia de Deus a todas as pessoas. Seu desejo vocacional, sempre foi que mais e mais pessoas pudessem conhecer Cristo Jesus. Chegando nessa cidadezinha, tão pequena que dava dó, tinha um rio que passava ao lado e uma igreja de uma torre só. Frei Luís passeava pela cidade, ia de casa em casa, convidando as pessoas a participarem da missa, mas a sua paixão mesmo, era visitar os enfermos.
Quando sabia que havia alguém doente na cidade, ia sempre abnegado visitá-lo, pois sabia que estava indo ver o próprio Cristo sofredor. Efetivamente, os enfermos daquele lugar gostavam muito de receber a visita de frei Luís, porque a sua presença trazia-lhes uma sensação de paz e serenidade. Seu amor pelos enfermos e o grande carinho que tinha para com as pessoas do vilarejo, tinha feito crescer a sua fama. Consequentemente, logo se espalhou um boato pela cidade de que frei Luís era tão santo, mas tão santo, que não andava, e sim levitava.
Dois amigos, muito curiosos, ficaram sabendo dos boatos de que frei Luís flutuava, e um deles disse: “Vamos ver se realmente é verdade que esse frei levita?” Responde-lhe o outro: “Vamos!” E se foram os dois. Havia na rua onde frei Luís morava um carro estacionado, bem próximo da casa do religioso, os meninos disseram: “Vamos ficar aqui atrás do carro e quando ele aparecer na porta, vamos ter certeza se ele anda ou levita mesmo”, e se esconderam os dois detrás do carro. Mas o tiro saiu pela culatra, porque frei Luís não estava em casa, tinha saído mais cedo e ainda não tinha voltado, mas os meninos ficaram ali, detrás do carro esperando-o. Passadas algumas horas, volta frei Luís e nota dois meninos de cócoras detrás de um carro, que está estacionado perto da sua casa, e cujo olhar de ambos está direcionado para a sua casa.
Frei Luís resolve então pregar uma peça nos dois, e começa a caminhar devagarinho, quase sem fazer nenhum ruído, vai se aproximando, se aproximando, se aproximando cada vez mais dos meninos, e eles nada de perceberem a aproximação do frei, se aproxima e dar um forte brado nos ouvidos deles: PEGUEIIII! Os meninos caíram no chão, do susto que levaram do frei, e também porque eles (os dois amigos) não estavam esperando que o frei ia chegar por detrás deles, e o frei pergunta: o que é que vocês dois estão fazendo aqui escondidos e olhando pra dentro da minha casa? Os meninos começaram a gaguejar sem saber o que iam responder. E o frei diz: a verdade, por favor! E um deles diz: é que corre um boato no vilarejo que o senhor é, tão santo, mas tão santo, que não anda, flutua. Ô, Ô, Ô, Ô, gargalha frei Luís, sua gargalhada foi muito parecida ao do papai Noel que vemos nos comerciais de refrigerante na televisão, quando frei Luís termina de sorrir, os meninos perguntam: mas, e então, frei, é verdade ou não que o senhor flutua? Frei Luís responde: é claro que eu não flutuo, eu ando igual a vocês, o problema é que, como o hábito que eu visto é muito grande, ele acaba cobrindo meus pés, e como o povo não vê meus pés, porque o hábito os cobre, pensam que eu estou flutuando, que gente mais avoadinha. Em seguida, perguntar-lhes, frei Luís: O que vocês fazem domingo pela manhã? Eles respondem: nada. E Frei Luís os convida para fazer parte do grupo de coroinhas da paróquia e eles aceitam.
Estando os meninos no grupo de coroinhas, durante uma procissão de Nossa Senhora das Dores, eles acabam se desentendendo porque um deles quer levar o turíbulo durante toda a procissão e o outro também quer levar, mas como o outro não deixou, o que não, levou acabou ficando com raiva. Acabada a festa da Santa, o coroinha que ficou com raiva, porque o outro não o deixou levar o turíbulo, buscou a frei Luís pra se confessar. O coroinha disse ao frei: “Frei, necessito me confessar.” O frei respondeu-lhe: “Vamos, busquemos um lugar onde todos possam nos ver, mas que ninguém nos escute.” E foram os dois para a praça que ficava em frente à Igreja matriz, e se sentaram em um banco. E frei Luís disse: “Conte-me, o que foi que aconteceu?” E o menino contou o que tinha ocorrido no dia da procissão, de como seu amigo não lhe deixou levar o turíbulo, e da raiva que tinha sentido, e de como não queria mais falar com ele.
E frei Luís replicou-lhe: “Meu filho, deixe de besteira, você vai deixar uma amizade tão bonita e de anos se acabar por causa de um mal-entendido, não pense nesse fato isolado do desentendimento de vocês dois, pense em todos os momentos felizes que passaram juntos, recorde quando queriam saber se eu andava ou flutuava.” Nesse momento os dois lentamente começaram a abrir um sorriso juntos e os olhos do menino começaram a brilhar, como alguém que tinha voltado a encontrar o motivo de ser feliz.
E o garoto se levantou e saiu correndo encontrar o amigo para lhe dar um abraço de perdão. E sua motivação por voltar a falar com o amigo foi tão grande, que nem se deu conta que deixou Frei Luís sozinho, lá sentado no banco da praça, e enquanto Frei Luís estava sozinho ficou observando às nuvens que passavam no céu e de como elas não paravam nunca de passar, nem um só segundo, e Frei Luís pensava de como era vasto o mundo e de quantas pessoas mais necessitam sentir a misericórdia de Deus, e recobrar o sentindo da sua felicidade. FIM!
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